Monte da Cabeça Gorda

 

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Monte da Cabeça Gorda
A Casa, com mais de duzentos anos de idade, foi durante muito tempo um lagar de azeite tendo, em determinada altura (não conseguimos apurar quando), sido objecto de ampliação, passando a constar do conjunto edificado uma zona habitacional e outras dependências de apoio à actividade agrícola. Desta forma, agregou-se ao lagar uma habitação que teria funcionado como residência dos exploradores do referido lagar a que se juntou, mais tarde, um casão agrícola.
Arquitectonicamente é detentora de pormenores que caracterizam genericamente a linguagem da zona. Exemplo deste facto é o domínio absoluto das grandes chaminés que se impõem magistralmente, acima da cobertura de pequena inclinação, parecendo temer mais os frios secos do que as chuvas de Inverno. Paralelamente, as paredes de taipa, robustas e escassas em fenestrações, acentuam o carácter protector em relação aos excessos de calor do Verão.
Estruturalmente, é notória a existência dos chamados “Gigantes”, ao fim e ao cabo contrafortes de remanescência Românica, aqui utilizados de forma popular e empobrecida mas que, para além de plasticamente marcarem curiosamente as fachadas, praticamente nuas, cumprem eficazmente a sua função estrutural.
Anexo à casa surge, destacadamente, um objecto de extrema importância: o forno. Com uma abóbada cerâmica, ainda e felizmente em bom estado de conservação, quase se traduz num elemento escultórico, parecendo apelar, disponível, à sua utilização. Terá sido, provavelmente, não só o forno da Casa mas também o dos que na zona residiam e trabalhavam, utilizando-o comunitariamente, como era frequente entre as gentes que por aqui estavam.
Também com carácter aparentemente comunitário, o poço, tem aqui um papel de suprema importância. Seja para consumo humano ou para saciar a sede dos animais que por aqui pastam, ainda hoje aqui se vai buscar água que, sempre abundante e fresca, está disponível.
Importa também aqui chamar a atenção para o portão nobre, hoje convertido em entrada pedonal na propriedade. O seu porte, quase eclesiástico, pouco ou nada tem a ver com a situação a que dá acesso. Não conseguimos apurar a razão de tão austero e “religioso” elemento, nem tão pouco o porquê de exibir no seu exterior um azulejo datado do século XVIII, representando uma virgem e uma cruz no seu topo. Este é sem dúvida um mistério histórico que, por enquanto, ficará por esclarecer.
O que é hoje a sala de estar principal da casa era o antigo lagar. Aqui centrava-se toda a actividade do monte, funcionando os demais espaços como apoio à produção do azeite. Hoje, junto ao lume de chão, ora se prolongam conversas de Inverno, ora se dormem sestas estivais.
Imediatamente ao lado, onde se encontram uma peanha de apoio às talhas de azeite bem como uma manjedoura (onde seguramente saciou a fome a besta que na altura servia de transporte às mais variadas mercadorias), foi criado um espaço mais reservado para os aficionados da televisão.
Na sala de jantar, antigo espaço de morada da família, podem hoje reunir-se, em torno da mesa, os amigos e desconhecidos à hora do pequeno-almoço ou para uma jantar que terá que ser previamente encomendado.
Os antigos abrigos para animais foram convertidos em confortáveis quartos duplos, com capacidade para duas pessoas cada, todos com aquecimento e casa de banho privada. Directamente de cada quarto é possível aceder ao terraço da piscina, bem como a uma pequena zona de estar exterior. Quanto ao casão agrícola, hoje considerado obsoleto pela evolução tecnológica, foi ocupado por quatro apartamentos, com capacidade para quatro pessoas cada, contando cada um com um quarto duplo, uma sala comum com kitchenette incorporada, e casa de banho. Para além disso, cada apartamento é também detentor de uma zona de estar exterior, quase privada, de onde se tem relação directa com a piscina.
No que respeita aos espaços exteriores, tal como a casa, estão dedicados fundamentalmente a actividades lúdicas. O terraço da piscina permite agradáveis momentos de diversão ou de tranquilidade absoluta, durante o dia ou nas noites de Verão, funcionando como um promontório de onde se desfruta uma característica paisagem alentejana. O terraço do forno motiva a reunião entre todos, convidando a agradáveis refeições no exterior.